Tese “Empathy Beyond Anthropocentrism and Eurocentrism in Historical Theory” é defendida por historiadora brasileira na Polônia
Tese “Empathy Beyond Anthropocentrism and Eurocentrism in Historical Theory” é defendida por historiadora brasileira na Polônia
No dia 11 de dezembro de 2025, a historiadora brasileira Taynna Marino* defendeu a tese de doutorado intitulada “Empathy Beyond Anthropocentrism and Eurocentrism in Historical Theory”, na Escola de Doutorado em Humanidades da Universidade Adam Mickiewicz (AMU), em Poznań, Polônia. O trabalho foi desenvolvido sob orientação de Ewa Domańska (AMU) e de Berber Bevernage (Universidade de Ghent), referências internacionais no campo da teoria da história e das humanidades.
A banca de defesa contou com três revisores, Marta Kurkowska-Budzan (Universidade Jaguelônica em Cracóvia), Kalle Pihlainen (Universidade de Turku) e Rodrigo Turin (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), além de professores do departamento de história da AMU – Maria Solarska, Lucyna Błażejczyk-Majka, Tomasz Falkowski e Krzysztof Makowski. A tese foi aprovada com distinção (summa cum laude).
Em sua tese, a autora investiga o que significa pensar e praticar a história de forma ética no século XXI, em um campo ainda fortemente marcado por pressupostos antropocêntricos e eurocêntricos. A partir desse diagnóstico, propõe uma reformulação do conceito de empatia como uma ferramenta teórica, metodológica e ética capaz de desafiar os limites do antropocentrismo, do intelectualismo, do antropomorfismo e do eurocentrismo na teoria da história. Essa proposta se organiza em torno de uma tríade conceitual: empatia transcultural, empatia transespécies e empatia transgeracional.
Os eixos do trabalho buscam repensar a empatia em relação aos não-humanos e mais-que-humanos, a outros modos de conhecer e habitar o mundo e a outras temporalidades, incluindo as gerações passadas e futuras. A tese dialoga com uma bibliografia ampla e inter/transdisciplinar, abrangendo teoria da história, história animal, estudos sobre cognição e comportamento animal, saberes indígenas, estudos do trauma, psicologia moral, filosofia e ética moral, ética da história e debates sobre o Antropoceno. A empatia é tratada como um conceito que articula dimensões éticas, epistêmicas e políticas da produção do conhecimento histórico.
Nesse sentido, o trabalho se conecta a debates contemporâneos urgentes sobre mudanças climáticas, crises ambientais e ecocídios, bem como sobre os legados do colonialismo, violência histórica, genocídios, guerras e passados traumatizados. A autora defende que a empatia pode desempenhar um papel central na orientação de práticas historiográficas mais responsáveis, capazes de responder às injustiças históricas e de contribuir para a imaginação de futuros mais justos e habitáveis.

*Taynna Marino é doutora pela AMU e mestre e licenciada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É editora executiva da Revista de Teoria da História e membra associada da RLTHH, INTH, SBTHH e ANPUH. Foi pesquisadora visitante do Instituto Messerli de Pesquisa, em Viena, da Universidade de Varsóvia, da Universidade de Ghent e da Universidade de Oulu. É autora dos artigos “The Role of Empathy in Bridging Western and Indigenous Knowledges: Dominick LaCapra and Ailton Krenak” (Rethinking History, v. 26, n. 4, 2022) e “How Should Historians Empathize?” (History and Theory, v. 63, n. 4, 2024), e do capítulo de livro “Empathy at the End of the World” para a coletânea Intra/Sections. Towards Post-Anthropocentric Concepts of Multiplicity, organizada por Jenny Haase-Knöpfle e Kathrin C. Thiele (Brill/Fink, 2025). Também co-traduziu e co-organizou o livro “A história para além do humano” (FGV Editora, 2024), de autoria de Ewa Domańska.

