Maria Ines Mudrovcic participa da 1ª Convenção de Teoria da História em Vilnius

Maria Ines Mudrovcic participa da 1ª Convenção de Teoria da História em Vilnius

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A pesquisadora da Rede Latinoameriana de Teoria e História da Historiografia, Maria Ines Mudrovcic, participou da 1st Vilnius Convention in Historical Theory, realizada de 29 a 31 de agosto de 2025, em Vilnius, Lituânia. O encontro reuniu 12 pesquisadores para discutir por que as sociedades atuais sentiram que “algo se desajustou na engrenagem do tempo”, ideia evocada pelo escritor Georgi Gospodinov — “I felt something had gone awry in the clockworks of time” — ao explicar o romance Time Shelter (2022), vencedor do International Booker Prize 2023.

Os debates partiram da constatação de que, diferentemente do refúgio nostálgico por um passado “seguro e feliz”, as imagens idealizadas do passado revelaram legados coloniais no Ocidente e no Sul global, além de “fantasmas do comunismo” e versões orientais de imperialismo — passados que não pareceram “seguros e felizes”. Ao olhar para o futuro, tampouco se viu algo mais animador: colapso ecológico e socioambiental e distopias tecnológicas dominaram percepções ocidentais, enquanto, na Europa Centro-Oriental, o maior desafio foi o “retorno do passado”, sentido fisicamente em Praga, Varsóvia, Tallinn, Riga e Vilnius, diante da transformação da Federação Russa em um Estado totalitário, da guerra contra a Ucrânia e das menções a “restaurar o império”. Enfatizou-se que, enquanto moradores de Los Angeles enfrentaram incêndios letais e Manila afundou no oceano, Vilnius se preparou para o “Day X”.

Considerando presentes instáveis, inquietantes e perigosos, “escapar do presente” apareceu como imperativo; porém, como passados e futuros pareceram igualmente conturbados, não houve trajetória histórica desejável nem concepção plausível de história que oferecesse orientação temporal. Discutiram-se questões como: acomodar-se ao presentismo ou combatê-lo (Hartog, 2015)? Permanecer com o incômodo ? Buscar “abrigos do tempo” em passados idealizados ? Corrigir erros do passado e do presente mobilizando a história contra si mesma ? Ou reconhecer a “desorientação do futuro” e os saltos antecipados de “mudança sem precedentes” rumo a futuros insondáveis? Também se perguntou o que as sociedades deveriam fazer em tempos sem direção e que concepção de história daria conta de imperativos tão convincentes quanto conflitantes.

A programação destinou dois dias a trocas acadêmicas entre pesquisadores de Leste a Oeste e de Sul a Norte, e um terceiro dia a atividades culturais. A Convenção foi apresentada como a primeira de seu tipo e planejada para ocorrer anualmente em agosto/setembro, em Vilnius, com 12 participantes rotativos a cada edição. A participação de Maria Ines Mudrovcic integrou esse grupo de doze pesquisadores que discutiram o tema central do encontro.